11.06.26 – Abertura da Copa

Copa do Mundo, 11.06.2006, México 2 x 0 África do Sul; Coreia do Sul 2 x 1 Tchéquia

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Em Bilbao, parece que não vai ter Copa. Não entendi se é um jeito meio basco de não assumir fazer parte da Espanha, ou se é uma empáfia espanhola de só se preocupar com a sua partida. Na tevê, as publicidades e as mesas-redondas tratavam a Espanha como favoritíssima, o melhor time do mundo, embora o que mais ocupa a grade é a visita do Papa. Nas ruas, parecia um dia qualquer.

Achamos um bar para acompanhar o jogo de abertura, alguns aparelhos sintonizados no jogo, mas sem muita gente preocupada com ele. Eu estava com a camisa do México, e meu portunhol logo me entregou como brasileiro, mas o que chamava a atenção era minha namorada em traje de gala, com sua camisa do São Paulo, de fato era difícil dizer o que era mais bonito, para mim uma dúvida muito cruel, e algumas pessoas quiserem saber que time era aquele, logo se vê o quão pobre é a relação desses bascos-espanhóis com o futebol.

A festa mexicana no Azteca, um dos maiores templos do futebol mundial, onde Pelé liderou o maior time de todos os tempos em 1970, onde Maradona conquistou sua Copa em 1986, arrepia qualquer amante do futebol. Ao nosso redor, pouca gente se comovia e teve um rapaz que se sentou deliberadamente de costas para o jogo. Aos poucos, foram chegando alguns outros querendo ver a partida, um casal com a camisa da Colômbia, um trio com a da Bélgica, um grupo maior que se reuniu nas mesas da calçada vendo a tevê que estava na vitrine.

Nos gols do México, alguns apupos, e mesmo minha comemoração sendo tímida, era a mais empolgada. O barman, que já sabia que eu era brasileiro, quis puxar conversa e falou que “Os Simpsons” sempre acertam as previsões para a Copa e que neste ano haviam dito que a final seria México contra Portugal. Samba é que nem passarinho, a gente pega no ar, e assim também é a resenha. Acelerei e falei que a final seria Brasil contra Espanha e que seríamos campeões. Ele respondeu que já ganhamos demais e já se desviou na conversa, nem a provocação rendeu um clima de Copa.

Ao final do jogo, um dos belgas veio me dar “felicitaciones” pela vitória, achei melhor agradecer e não contrariar, não quis iniciar uma conversa com eles, ainda ressentido pela derrota de 2018.

A Espanha, ou o País Basco, pode fingir que não sabem, mas a Copa começou.

Depois que tirei a foto que vi o inusitado do anúncio

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