13.06.26 – 3º dia de Copa
Copa do Mundo, 13.06.2026, Catar 1 x 1 Suíça; Brasil 1 x 1 Marrocos; Haiti 0 x 1 Escócia; Austrália 2 x 0 Turquia
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Que a Seleção está perdida, não é de hoje. O que espanta é o multicampeão Ancelotti estar ainda mais perdido.
Taticamente, no primeiro tempo a Seleção talvez tenha sido a pior equipe até agora, talvez pior até que o Paraguai e a sapecada que levaram dos Estados Unidos.
O time de vermelho parecia o que antigamente era o time de amarelo. Pressão constante, sufocando o adversário no seu campo de defesa, rápida recuperação de bola para voltar a atacar, sem deixar tempo ou espaço para os rivais respirarem. Aliás, parecia até que os marroquinos respiravam um ar diferente, acho que bebiam uma outra água, tamanha era a diferença entre os dois times, física e taticamente.
O time foi uma bagunça e ninguém começou bem. Um vazio do lado direito, expondo Ibañez, Raphinha e Vini quase se trombando do lado esquerdo, como se Hakimi fosse o maior jogador da história e fosse preciso três para marcá-lo, aí incluído o lateral Douglas Santos que estava terminantemente proibido de atacar. Igor Thiago era um tanque desgovernado isolado na frente, Paquetá é um daqueles que não entende o que cada jogo exige e está preocupado com as firulas que virarão vídeos nas redes sociais, Casimiro não estava fisicamente preparado nem para um jogo de veteranos, Guimarães, o único com alguma lucidez, perdia-se no meio desse caos. Os defensores todos erravam botes ao tentarem se adiantar, mais um sinal do mau posicionamento tático dos jogadores, e abriam buracos na defesa.
Aliás, foi num buraco da defesa que Brahim Díaz fez um lançamento no meio da zaga que seria pouco perigoso para um sistema organizado, mas que encontrou o atacante Saibari no meio dos dois zagueiros, mais perto de Magalhães, que parecia um juvenil na marcação e praticamente não aparece na imagem depois de perder na corrida para o marroquino, o chama-gol Alisson saiu mal, porque parou no meio do caminho, na verdade nem ficou para defender, nem saiu para abafar, tomou um toque de cobertura para um belo gol dos africanos.
A sorte é a nova ordem do futebol mundial que dividiu o jogo em quatro tempos, e a “parada para hidratação” permitiu um respiro do baile que a Seleção tomou na primeira metade do primeiro tempo. Ao menos a equipe voltou menos exposta, um pouco também da cautela marroquina, agora preocupada em manter a liderança no placar.
Se era uma peneira na defesa, era também um vazio na frente. Vini Jr, no único momento de genialidade brasileira no jogo, recebeu um bom passe de Guimarães, dentro da área, na ponta esquerda, sambou na frente do tão temido Hakimi e, cansado de passar para jogadas inócuas dos demais, com destaque para um protótipo de cabeçada de Igor Thiago que virou chacota para si mesmo, que riu depois do próprio erro, Vini fuzilou o goleiro Bono e marcou o que será um dos mais belos gols da Copa ainda em seu terceiro dia.
Depois do intervalo, as substituições de Casemiro e Ibañez por Fabinho e Danilo consertaram os problemas defensivos, embora o defensor já tivesse melhorado na segunda metade do primeiro tempo.
O time deixou de sofrer com o ataque marroquino e até melhorou no ataque, por uns quinze minutos apenas, quando as saídas de Igor Thiago e Paquetá, substituídos por Matheus Cunha e Luiz Henrique voltaram a deixar o meio-campo despovoado, com o consequente retorno da superioridade dos Leões do Atlas. A entrada de Danilo Santos no lugar do esgotado Bruno Guimarães não mudou muita coisa, Raphinha e Vini também se esgotaram e já não havia substituição para colocar Endrick ou Rayan no lugar de um deles.
Embora no segundo tempo a Seleção não tenha ficado perto da derrota, sempre esteve muito longe da vitória, que só viria num lance fortuito ou por força maior da arbitragem.
A irônica boa notícia é que há muito espaço para melhorar, pois é impossível começar pior. Talvez tenhamos jogado tão mal nos primeiros vinte minutos quanto naquela tarde fatídica do 7x1, com a diferença que Marrocos não é aquela Alemanha. A realista má notícia é que, se há espaço, não há tempo para melhorar, e golear Haiti para tentar ser primeiro do grupo deixou de ser opção para ser obrigação.
O mais triste não é o time jogando mal. Todo torcedor já passou por isso. Nem é o que alguns chamaram de falta de vontade, não parece que não tivessem vontade, parece que apenas não conseguiam jogar. O verdadeiro desalento é esse time sem alma quando deveria ser a Seleção.
