15.01.26 – São Paulo 1 x 0 São Bernardo
Campeonato Paulista, 15.01.2026, Morumbi
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Ansioso para voltar para casa depois de mais de três meses, mesmo depois da sacolejada em Mirassol, fui perdendo o ânimo ao longo do dia, com a chuva torrencial que caiu em São Paulo desde o início da tarde. Já fui a muitos jogos que choveu em algum momento, mas nesses de chover o dia todo só fui uma vez, uma sapecada de 4 x 2 que levamos em casa do Cruzeiro que seria campeão brasileiro no primeiro campeonato de pontos corridos. Tinha chovido tanto esse dia que o GP Brasil de Fórmula 1 foi todo maluco, vários acidentes, acho até que terminou com voltas a menos. Depois disso, em dias de tempestade, não vou ao Morumbi.
A única vantagem de não ir, além de ficar seco, era poder assistir ao jogo da Copinha contra o Operário-PR, que começou dominando o jogo e fez um belo gol depois de uma bonita triangulação. Tudo ia por água abaixo, quase que literalmente. Já imaginava que se o time de juniores já estava mal, o profissional seria ainda pior, seria impossível jogar com todo esse aguaceiro, o próximo jogo vai ser Majestoso em Itaquera, na quinta rodada é Choque-Rei no Palestra, precisamos fazer pontos logo, só me faltava o São Bernardo, no meio da tempestade, cobrar um escanteio depois de uma jogada morta qualquer, 40’ do segundo tempo e achar um gol.
Gato escaldado também teme água fria, e a chuva era mais um elemento para dificultar nosso jogo.
Em Sorocaba, ao menos, os ventos se abriam, e em menos de cinco minutos o São Paulo fez dois gols e o Operário teve um jogador expulso. Com mais um gol no começo do segundo tempo e o jogo encaminhado (que viria a terminar 5 x 1), troquei para o jogo entre Red Bull e Corinthians. O amasso que o misto do Parque São Jorge tomava dos titulares do time de Bragança renovou meus alertas, primeiro porque os corintianos se poupavam para o Majestoso, segundo porque o Paulistão é difícil, para ganhar dos times do interior é preciso jogar bola.
Começa o jogo no Morumbi e confesso que me animei. Não é que o time jogava bem, mas só o fato de jogar alguma coisa já, mesmo num gramado com muita água (que teria sido um pântano não fosse a excelente drenagem do Morumbi), já trazia um alento. Era completamente diferente de Mirassol, quando parecia que escolheram aleatoriamente onze pessoas que nunca tinham visto uma partida de futebol, explicaram-nas minimamente como funciona o jogo e puseram-nas em campo.
Ainda assim, foi sofrível, o time não acertava um chute com alguma chance de marcar, como já tinha sido no jogo inaugural, o tempo passava e o São Paulo não achava o gol. O São Bernardo também não se arriscava, o empate lhes era ótimo, mas é justamente nesses jogos que o Tricolor acaba tomando um gol de contra-ataque e se complica.
Como o gol não saia, Crespo foi trocando o ataque, entraram Luciano e Calleri, saíram Lucas e Tapia, e é sempre emocionante ver um jogador visceral como Calleri retornar para um jogo depois de tanto tempo lesionado. Lucca, seguramente o melhor do time até então e anos-luz à frente de Ferreirinha na inteligência futebolística, saiu para entrada de Paulinho, que na sua primeira jogada leva uma paulada de cartão de visitas de Mário Sérgio, digna do cartão amarelo que recebeu.
Cobrada a falta por Danielzinho, que aparenta ser um bom jogador e provavelmente será a dupla de Marcos Antônio, Arboleda dá um cabeçaço na bola, que explode no travessão e volta nos pés de Luciano, ele, o jogador que sintetiza em si os sentimentos dilaceralmente ambíguos do torcedor, amado e odiado no mesmo jogo, às vezes no mesmo lance e na mesma intensidade, mas que inegavelmente, goste-se ou não dele, é o homem do 1 x 0, aquele jogador que faz o gol que destrava o placar, o que salva pontos, o que faz acreditar que é possível.
Com muita gente à sua frente, o mais provável é que Luciano, como quase sempre faz, tentasse um chute forte em direção ao gol, a bola bateria em alguém e seria escanteio, ou talvez desviasse e entrasse, pode ser também que subisse demais e saísse sem grandes perigos. Qual o que, nas frações de segundo após dominar o rebote da trave, deu um tapa magistral na bola, que encobriu toda a zaga e o goleiro, e foi morrer no ângulo, que golaço, caí num estado de profunda amnésia e não me lembro de jamais em toda a minha vida ter tecido qualquer comentário minimamente indigno ao Luciano.
Não é que depois da tempestade veio a bonança, mas não jogamos mal, Luciano fez gol, Lucca se mostra uma ótima promessa, Danielzinho deve ser titular, ganhamos o jogo. O dia só seria perfeito se acabasse com a promessa da imprensa não cumprida de que Casares renunciaria depois do jogo. Certamente, um dia feliz.
Às vezes, tudo de que precisamos é de um pouco de carinho.
