24.01.26 – Choque-Rei
Palmeiras 3 x 1 São Paulo, Campeonato Paulista, 24.01.2026, Arena Barueri
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Desde a célebre campanha da Copa do Brasil de 2023, quando eliminamos Palmeiras, Corinthians e Flamengo para levantarmos o caneco, o São Paulo não vence um Choque-Rei, ainda que tenha ganhado a única final nesse período, a Supercopa de 2024, nos pênaltis. 9 jogos, dentre os quais a paulada de 5x0 ainda em 2023, e várias péssimas arbitragens todas curiosa e coincidentemente favoráveis ao time da Barra Funda, uma delas pelo mesmo péssimo assoprador de apito deste clássico, novamente Matheus Candançan, novamente fora de casa, como fora na estreia desse Paulista em Mirassol.
Assim como não há coincidências, há sinais que estavam lá o tempo todo, berrando para todos que os conseguem ler o que vai acontecer, apenas um milagre para evitar o inevitável.
Além do árbitro, havia outros sinais. A falta de gramado, já que o Palmeiras, seja no Palestra Itália, seja em Barueri, só manda jogos em piso de plástico. A melancólica partida são-paulina contra a Lusa, que praticamente nos empurrou para a zona de rebaixamento, não fosse o Noroeste não ter conseguido vencer a desmilinguida Ponte Preta, que nem jogadores têm para colocar no banco. A acachapante goleada sofrida pelo Palmeiras contra o Novorizontino, 4x0, com grande parte de seus titulares, os arautos do caos enaltecendo a pior derrota já sofrida por Abel Ferreira, impressionante como ignoram que toda vez que este Palmeiras apanha em um jogo, volta mais forte para o próximo. O clube tricolor à deriva, passada uma semana do impeachment de Casares e ninguém da nova velha diretoria fala nada. Por fim, e não menos importante, a falta de torcida de visitante, gentileza das incompetentes Polícia Militar e Ministério Público de São Paulo, que insistem a cada nova rodada de clássico em reafirmar suas incompetências.
Começa o jogo e o São Paulo, que fora de casa normalmente é dominado pelo Palmeiras desde o início, incrivelmente começa melhor, tocando bem a bola, pressionando o rival em sua defesa, marcação alta dificultando a saída palestrina. Parecia que ia dar, contra todos os sinais. Mas, antes dos 8’ de jogo, o São Paulo se atrapalha perto da área, Bobadilla perde a bola e, após uma triangulação entre Andreas Pereira, Flaco López e Maurício, o ponta palmeirense acerta um chute defensável, da entrada da área, no canto direito de Rafael, que parecia esperar que a bola viesse menos rápida, certamente viria se fosse grama, mas o verde Palmeiras odeia a grama verde e o piso de plástico já começava a definir a partida logo no início.
Ainda incrivelmente, o Tricolor não derreteu, continuou incrivelmente melhor, e aos 13’, após belo escanteio cobrado por Enzo para Arboleda, sempre ele, desviar, a bola sobra para Bobadilla redimir-se, muito graças ao frango de Carlos Miguel, que aceitou no meio das pernas quando foi tentar defender com o pé esquerdo.
Tudo indicaria que o São Paulo, que tem defendido muito mal desde que abdicou do terceiro zagueiro, tendo achado o empate logo depois do susto inicial, poderia jogar mais precavido, cozinhando o jogo, já que o Palmeiras aparentemente não intencionava sufocá-lo. Incrivelmente, contudo, o São Paulo manteve a pressão e continuou melhor. Tapia teve uma chance aos 15’, meio sem ângulo mas dentro da área, que Carlos Miguel defendeu bem, e teve, logo depois, aos 18’, a chance do jogo, após Alan Franco lançar Enzo Díaz na ponta esquerda e o cruzamento perfeito do argentino encontrar o chileno, que incrivelmente chutou para fora, uma jogada que claramente seria realizada pelo Palmeiras, uma rápida transição direta da defesa para o ataque, com a enorme diferença que se fosse o rival, teria feito o gol.
Mesmo depois da parada para a hidratação, na metade do primeiro tempo, o São Paulo voltou melhor, embora já se via Maurício pela esquerda para tentar impedir as subidas de Enzo e Andreas mais adiantado. Aos 30’, quando o Tricolor já tinha chutado seis vezes ao gol palmeirense, que só tinha atacado quando fez o gol, Maik recebeu no campo de ataque outro lançamento de Alan Franco, levou uma sarrafada de Sosa que o jogou para fora do campo, lance que incrivelmente no maravilhoso mundo de Candançan não é falta (desde que cometido pelos palmeirenses), que permitiu que o lateral verde, agora livre, encontrasse Andreas no meio-campo, a defesa do São Paulo desarrumando-se, cada um tentando cobrir o espaço que o outro deixava em razão do buraco na lateral-direita, aquele movimento de dominó em que cada peça derruba a seguinte inexoravelmente até o final da fila e não há nada que impeça o colapso, Andreas conduz a bola, encontra Sosa na ponta direita, Maik esbaforindo-se para tentar retomar sua posição e quando ele e Arboleda estacam-se na frente do atacante paraguaio, ele faz um lindo e perfeito passe para Flaco López, que não é Tapia e faz o gol.
Não é que o São Paulo desmoronou depois do gol, incrivelmente, mas não teve ímpeto para tentar empatar novamente ainda no primeiro tempo, o Palmeiras seguia sem atacar, atacaria só quando necessário, ou seja, atacaria para fazer gol.
Incrivelmente, o São Paulo volta melhor, mas assim como no primeiro tempo, logo no início do segundo, aos 6’, o Palmeiras ataca novamente, só a terceira vez na partida, terceiro gol, após Flaco ajeitar de cabeça para a entrada de Khellven, cujo nome tive que consultar para escrever, fim de papo, liderança assegurada ao menos até o domingo, dragando o rival tricolor ainda mais para baixo, enquanto o São Paulo jogava, o Palmeiras ganhava, e Choque-Rei, como qualquer clássico, não se joga, se ganha. No restante do jogo, a verdade é que o Tricolor, que nada mais fez de perigos para a meta verde, escapou da goleada quando Vitor Roque acertou a trave, e o jogo poderia seguir ao infinito, os deuses rolando seus dados viciados inexoravelmente até o fim dos tempos, e ainda assim a partida continuaria perdida.
O milagre do qual dependia o Tricolor ante todos os sinais para vencer não veio, seria muito até para São Paulo. A defesa, que não era o pior do ano passado com três zagueiros, é uma peneira, a pior do campeonato. O time não tem jogada e qualquer vitória só tem a chance de acontecer com atuações extraordinárias de alguns de seus jogadores ou com algum lampejo de craque como o de Luciano contra o São Bernardo. Crespo claramente não tem condições de melhorar esse time.
Como único alento, espero que luz no fim do túnel ao invés de uma lanterna esquecida no fundo do poço, Lucca é muito mais jogador que Ferreirinha e merece permanecer titular.
Quarta começa o Brasileiro, só contra o Flamengo. Em seguida, San-São no Morumbi e San-São na Vila. Esta temporada será longa, incrivelmente longa.
