25.02.26 – Coritiba 1 x 2 São Paulo
Brasileirão, 25.02.2026, Couto Pereira
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Poupar ou não poupar, eis a questão. A dúvida da semana para a maioria dos times nessa rodada de Campeonato Brasileiro era jogar a vera o principal torneio do país ou guardar forças para tentar chegar à final do Estadual, provavelmente contra um de seus arquirrivais. Para o São Paulo, era rifar o jogo contra o Coritiba em Curitiba, largar o Brasileirão na quarta rodada, para tentar vencer o Choque-Rei domingo no plástico de Barueri ou jogar com time completo para tentar dez pontos em 4 jogos, o melhor início de campeonato desde 2019, com chance de fazer 13 pois receberá a Chapecoense na rodada seguinte. Minha escolha, óbvia, é pelo caminho que nos levará para nosso torneio, a Libertadores.
A de Crespo, como foi em 2021, é pelo Paulista, e quando saiu a escalação, coisa de uma hora antes da partida, vi os três pontos e a potencial liderança do certame escorrer pelos dedos. Ao menos, para o meu alívio, o Tricolor vinha com três zagueiros, tornando o empate factível. Preferi solenemente ignorar um elemento imensurável e profundamente decisivo do jogo, a confiança. Era uma sequência de sete jogos invictos, só um empate, na Vila contra o Santos, incluindo vitória categórica contra o mesmo Santos no Morumbi, virada contra o Flamengo, amasso no Grêmio, classificação para a semifinal do Paulista fora de casa contra o Red Bull. E enquanto a confiança não transborda na arrogância, na soberba ou na prepotência, um time torna-se quase imbatível.
Está claro que os jogadores estão confiantes, tanto nas suas escolhas técnicas como nas táticas do treinador, o time pode jogar de duas maneiras completamente diferentes, com três atacantes ou três zagueiros e ser igualmente forte e competitivo, e os jogadores confiam uns nos outros, o que é essencial em um esporte coletivo.
Isso se espraiou também para os reservas, e rapidamente o São Paulo dominou o jogo, controlando a pressão coxa-branca, seguro defensivamente e, embora não tenha jogado o bom futebol que os titulares têm nos feito sonhar, não fazia um jogo ruim, fazia o jogo que era preciso, é muito difícil jogar trinta e oito jogos durante o ano todo muito bem, alguns pontos tem que ser conquistados na marra.
No início, ainda desconfiei um pouco do posicionamento da zaga, Tolói na esquerda e Franco na direita quando o ideal parecia ser o contrário. Aos 8’, Lucas Ronier, o único bom jogador do Coxa, fez um salseiro no estreante garoto Djhordney na lateral esquerda, bola cruzada na área, ninguém rebate, Felipe Jonatan arremata forte da entrada da área e Tolói salta para interceptar, grande defesa, talvez Rafael chegasse na bola, mas foi o bastante para estancar minha desconfiança.
O time do Coritiba tinha me causado uma primeira impressão diferente, pois me pareceu melhor na segunda rodada do campeonato quando venceu o Cruzeiro no Mineirão, na verdade é o Cruzeiro que está muito mal, o Coxa já tinha perdido em casa para o Red Bull, empatado em três tentos contra a Chapecoense fora e perdido a classificação para a final do Paranaense nos pênaltis depois de dois empates contra o Operário. A maioria dos jogadores aparentam não ter nível técnico para jogar a primeira divisão, certamente seria um bom time para a série B, são vários jogadores que poderiam ser reservas em outros clubes mas dificilmente seriam titulares em algum dos outros 19 times, o Coritiba vai ter que jogar mais do que pode para permanecer na elite.
Aos 37’, o veterano zagueiro Maicon, de quem não tenho nenhuma saudade, fez um péssimo passe, interceptado por Cauly, estreando como titular, que lançou Ferreirinha na ponta esquerda dentro da área chutar meio em cima do goleiro, que ainda assim teve que rebater para escanteio.
No final do primeiro tempo, Ronier, na ponta esquerda, deu um corte seco em Tolói, que permaneceu estático com a perna esticada, chutou de rosca com o pé esquerdo para tirar de Rafael e a bola estourou na trave.
No segundo tempo, como era de se esperar, Crespo traria sua cavalaria para campo, e já voltou logo com Marcos Antônio no lugar de Djhordney, que não fazia uma partida ruim mas que já estava admoestado com amarelo. Com Marcos Antônio, é outro time.
O São Paulo passa a pressionar o Coritiba, coisa que ainda não tinha feito no jogo e , aos 4’, após um escanteio batido por Cauly, Arboleda desvia de cabeça e Tapia leva um soco do goleiro quando tentava finalizar, VAR, pênalti, Cauly para a cobrança, eu torcendo mais para que achássemos um batedor do que para a bola entrar, chutou, no meio, o goleiro reserva Pedro Rangel, que acabara de entrar, desvia com a mão direita e a bola entra, 1x0, liderança do campeonato, encontramos um gol mas ainda não achamos o cobrador de penais.
Aos 21’, já com Lucas e Calleri em campo, Marcos Antônio, da risca do meio-campo, lança o centroavante na ponta-esquerda, Calleri dribla bem o zagueiro e cruza perfeitamente para Cauly matar o jogo, ele finaliza no meio permitindo a defesa do arqueiro.
O Coritiba não parecia ter forças para reagir, o Tricolor baixou a fervura e voltou a controlar o jogo e exceto por mais uma boa jogada de Ronier que chutou perto da trave direita de Rafael, não teve nenhuma chance de empatar a partida.
Fim de jogo e o melhor dos mundos, os reservas fizeram os três pontos que precisávamos para continuar sonhando, o time titular chegará tinindo para o Choque-Rei da semi do Paulista e só não foi perfeito porque a liderança do campeonato, que na rodada anterior tinha sido de um dia, hoje não passou de alguns minutos. Mantendo-se com a mesma pontuação do líder, só me importo de liderar uma rodada, a última.
