25.06.26 – 15º dia de Copa

Copa do Mundo, 25.06.2026, Equador 2 x 1 Alemanha; Curaçao 0 x 2 Costa do Marfim; Tunísia 1 x 3 Países Baixos; Japão 1 x 1 Suécia; Turquia 3 x 2 Estados Unidos; Paraguai 0 x 0 Austrália

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A boa equipe do Equador jogou uma ótima partida contra Costa do Marfim e perdeu na última bola. Na segunda rodada, embora tenha amassado Curaçao, a decepcionante pontaria de seus atacantes permitiu que o goleiro Room fizesse 15 defesas. Na última rodada, restava aos equatorianos vencer a sempre forte seleção alemã para avançar na Copa.

O time alemão não era propriamente reserva, jogava com maioria de titulares, mas com a empáfia que lhes costuma acometer nas fases de grupo quando já estão classificados, aqui desconsideradas as inúmeras vezes em que perderam jogos fáceis e surpreendentemente acabaram caindo em chaves mais fracas.

No começo do jogo, Raum cobrou lateral da esquerda para o volante Pavlovic, perto da risca lateral da área, que literalmente rastelou o rosto de Vite com as travas da chuteira para completar sua tentativa faltosa de chapéu, passou para Wirtz que tocou para Sané finalizar e anotar o gol. Os andinos, lógico, reclamaram falta, e até Wirtz ficou olhando para o equatoriano caído e para a árbitra antes de comemorar, já imaginando que o lance seria anulado. Não foi, e ao longo da partida o que se viu não foi apenas uma arbitragem ruim, mas uma arbitragem tendenciosa, sempre favorecendo os germânicos nos lances cruciais.

Pelos nervos em frangalhos dos andinos ao final do jogo anterior, imaginei que um gol cedo demoliria qualquer arremedo de confiança ou fortaleza psicológica que tivessem erigido em poucos dias. Ao contrário, com jogadores experimentados nas canchas sul-americanas, forjados percorrendo todo o continente nas disputas de Libertadores e Sulamericana, torneios onde se aprende muito mais sobre fibra e caráter do que em qualquer liga europeia, que alguns também desbravam, o Equador logo percebeu que teria que ganhar da Alemanha e da arbitragem quando, aos 5’, numa pressão forte no ataque, Angulo roubou a bola de Raum quase dentro da área, toque claríssimo na pelota, e o apito amigo dos alemães marcou a infração, perigo de gol.

Logo depois, foi impossível evitar nova investida equatoriana na defesa germânica, Vite desarma Nmecha na intermediária tocando para Angulo, os zagueiros alemães desorganizados, ninguém fechou o meia andino, que bateu forte de fora da área, Neuer caiu meio atrasado, era o empate sul-americano, ¡Sí se puede!

Era mais uma boa partida dos equatorianos, que já mereciam ter 6 pontos embora só tivessem um, mas faltava mais um gol. Do lado alemão, a certeza de que a qualquer momento venceriam parecia tragá-los para uma rotação abaixo do que jogavam os adversários, quase como se não fosse necessário jogar tudo que podiam e, ainda assim, triunfariam.

A cada nova investida da equipe amarela, a torcida, predominantemente de latinos torcendo para os equatorianos, bradava a plenos pulmões, ¡Sí se puede!

No início do segundo tempo, a arbitragem ainda tentou sancionar um pênalti mandrake para a Alemanha, daqueles que marcam para o Palmeiras e o Flamengo no Brasileirão, o Pênalti-Roque ou o Arrascapênalti, mas que não têm vez no Mundial, foi inevitável o VAR intervir e acharam melhor dizer que houve falta no início da jogada. ¡Sí se puede!

O tempo passava, Equador não encontrava seu gol e surpreendentemente não se desesperava, continuava jogando bola, a torcida cada vez mais inflamada. ¡Sí se puede!

Cada nova defesa de Neuer evitando o tento de desempate ou cada ataque alemão parado pelo goleiro Galíndez era o estopim de uma nova saraivada de gritos, uníssonos, ¡Sí se puede!

Aos 27’ do segundo tempo, Kevin Rodríguez divide com o zagueiro Tah e o goleiro Neuer, parece que a bola vai sair pela linha de fundo, mas o equatoriano consegue alcançá-la, todos os de amarelo corriam mais do que os alemães, talvez tomados pelo espírito do uniforme azul que usavam e que bem poderia ser um pijama, Rodríguez toca para Caicedo que, de primeira, cruza para Gonzalo Plata, mas o flamenguista não consegue chegar a tempo para finalizar com qualidade e a bola sai. ¡Sí se puede!

No lance seguinte, a bola quebrada para a frente pela defesa alemã pipoca na intermediária andina, Undav até agora não sei se errou e a bola bateu em suas costas ou se quis realmente ajeitar de escápula para Sané, o fato é que o jogador do Bayern de Munique saiu na cara do gol, o 2x1 àquele momento desabaria as chances equatorianas nos escombros de um terremoto nos Andes, e eis que Galíndez, bem posicionado, faz uma defesa difícil parecer fácil. ¡Sí se puede!

A Alemanha já não fazia questão de ganhar, para o Equador, porém, não bastava empatar. No ataque seguinte, troca de passes da intermediária de ataque dos andinos, o ótimo Caicedo lança Yeboah, nascido na Alemanha, dentro da área, ele ajeita de cabeça para Kevin Rodríguez, que, dentro da pequena área, domina de peito e arma o chute, travado por Tah e Stiller, e a bola sai em escanteio. ¡Sí se puede! A areia da ampulheta perigosamente acabando, Vite teve a frieza de executar uma jogada ensaiada, bateu o córner perfeitamente um pouco antes da primeira trave enquanto Kevin Rodríguez se desmarcava dos defensores para, no ponto perfeito, tocar para trás de cabeça, em direção ao gol, Tah segurava Plata pela camisa, Neuer quis encaixar uma bola que teria que ser esmurrada para fora da área, o equatoriano esticou a perna, mais rápido que o goleiro, mais forte que o zagueiro, desviou para cima e a bola entrou naquele que talvez seja o gol mais importante do Equador. ¡Sí se puede!

A felicidade, infinita e estampada em milhares de rostos, não era de quem foi surpreendido pelo extraordinário, mas daqueles que sempre tiveram a certeza de que o impossível era apenas um estágio antes do certo e definitivo. ¡Sí se puede!

Depois de já ter perdido para Itália, Alemanha e Inglaterra e empatado com a França em Copas do Mundo, Equador, enfim, venceu uma campeã, classificou-se para a próxima fase e lembrou a todos, principalmente a Plata, que terminou chorando a partida anterior contra Curaçao, como se já estivessem eliminados porque jogariam na última rodada justamente contra os alemães, que no futebol, tudo é possível. ¡Sí se puede!

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