28.04.26 – PSG 5 x 4 Bayern de Munique
Liga dos Campeões, 28.04.2026, Parque dos Príncipes
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O jogo mais divertido que vi em um estádio e que não envolvia meu time foi um São Caetano 5x4 Paysandu, semifinal do módulo amarelo (ou outra cor, já não lembro) na Copa João Havelange de 2000, no Parque Antártica, teve pênalti, expulsão, teve o que parecia uma goleada e acabou como um jogo vivo até a última bola, um jogo em que ninguém defendia e todo mundo atacava. Foi a partida com mais gols que vi das arquibancadas, mas não é porque o jogo tem muitos gols que é bom. Em 2011, estava no Camp Nou quando o Barcelona triturou o Osasuna, 8x0, os visitantes conseguiram passar do meio de campo com a bola dominada quando já perdiam de 2x0, um recital de Messi e David Villa, mas parecia um jogo do Globetrotters contra um time amador juvenil, não teve embate, não teve disputa, não teve tensão, apenas uma pantomima sem alma, um esquete grotesco cujo palhaço protagonista inferniza o coadjuvante antagonista de todas as formas possíveis e a gente ri de cada piada porque parece engraçado, mas sabendo todos, plateia e atores, que aquilo não é real.
O que aconteceu no Parque dos Príncipes hoje é algo de outra natureza, é uma das maiores partidas dos últimos anos, que atravessará gerações sendo lembrada como um dos grandes jogos de seu tempo. Há quem reclamará que as duas defesas foram mal, mas isso é tirar toda a beleza da técnica, a plasticidade do domínio perfeito, preparando para o arremate mas que se transmuda em drible, uma nova ameaça de chute que vira finta, tudo para tirar da jogada um dos melhores zagueiros do mundo, Marquinhos, devidamente marcado por Luiz Díaz, até o tapa definitivo no canto, no alto, um gol genial, ou o lançamento preciso de Doué para o drible perfeito de Kvaratskhelia apenas para impedir que Stanisic o impedisse de chutar, a finalização precisa, de curva, no canto oposto do goleiro, o gol que o consagrou nos campos italianos, ou talvez o chute milimétrico de Dembelé no canto de Neuer, marcado pelo estupendo Upamecano, bola resvala na trave para entrar, outro lindo gol. (É, talvez a defesa parisiense tenha subestimado um dos melhores atacantes do mundo hoje, ninguém apertou Olise, ele conduziu a bola para a entrada da área e, entre quatro defensores, chutou um chute impossível, muito forte para quem estava praticamente parado, com efeito, no alto, baita gol).
Reclamarão também dos esquemas táticos de ambas equipes, dos espaços deixados para o adversário, embora toda a defesa parisiense estivesse na área e não tenha conseguido evitar que Upamecano apenas completasse o cruzamento impecável de Kimmich, ou que toda a defesa bávara, devidamente posicionada, fosse surpreendida pelo primoroso lançamento para Hakimi e seu consequente irrepreensível cruzamento rasteiro, que parecia mirar os atacantes que já estavam na área, que foram se trombando com a defesa alemã, quando na verdade tinha por destino final Kvaratiskhelia, do outro lado da área, outro golaço.
Tem gente que dirá que prefere um oxo bem jogado a uma partida com esse placar bailarino de 5x4. Não se pode comparar um 5x4 num Interclasses com um 0x0 profissional, é evidente que um jogo profissional é melhor, mas eu acho que prefiro o 5x4 de São Caetano e Paysandu que qualquer 0x0 da história.
O 5x4 de PSG e Bayern, com a complexidade tática que esses times podem produzir em razão da excelência técnica dos jogadores que têm, a infinita disposição para um gol mais, para um ataque mais, um suspiro mais, é de uma beleza infinita. Se eu só tivesse essa partida para ver o resto da vida, eu a assistiria todos os dias (ainda bem que tenho São Paulo 3x2 Milan). Se futebol fosse arte, esse jogo seria uma de suas obras-primas.
PSG 5x4 Bayern é uma obra-prima.
