17.06.26 – 7º dia de Copa
Copa do Mundo, 17.06.2026, Portugal 1 x 1 República Democrática do Congo; Inglaterra 4 x 2 Croácia; Gana 1 x 0 Panamá; Uzbequistão 1 x 3 Colômbia
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Portugal se juntou à sua vizinha ibérica e à sua principal ex-colônia como as grandes decepções da primeira rodada da Copa. Talvez para os lusitanos o mais decepcionante nem tenha sido o resultado, mas a realidade posta de que Cristiano Ronaldo nunca foi nem nunca será Messi, e enquanto o argentino já apresentou as credenciais e a papelada no setor de escolha do melhor do torneio, o português ainda deve mostrar não só a que veio, mas se deve continuar titular, tendo sido disparado o mais apagado da esquadra lusa. Acreditar em seu retorno como protagonista desta equipe beira ao sebastianismo e só não é mais absurdo que acreditar que Neymar pode ser minimamente útil à Seleção.
Falando em decepções, embora os adversários de Espanha e Portugal sejam bem piores que Marrocos, a atuação do Brasil foi bem pior que a os dos dois favoritos, que ao menos dominaram seus adversários.
O nome do dia, sem dúvida, é o excelente Harry Kane. Jogador inteligentíssimo, parece sempre tomar a melhor decisão em qualquer situação. Lidera seu time na bola, na técnica e na atitude e, mesmo centroavante, está em todos os lugares do campo. Um amigo disse que é o jogador lento mais rápido que há. Ele parece lento, mas sabe acelerar o jogo, sabe acalmar o jogo, sabe controlar o jogo. Sabe se posicionar na área, tanto que conseguiu ficar invisível para a defesa croata no segundo gol inglês em uma cobrança de escanteio, aparecendo sozinho para cabecear para as redes. Eu diria que é o mais moderno dos jogadores clássicos, porque aguenta jogar o jogo inteiro mesmo recuando bastante, é o melhor centroavante do mundo hoje, mas poderia jogar de 10, de meia, de volante, até de zagueiro. Falta-lhe a fagulha da genialidade, mas sabe jogar o jogo quase à perfeição. Certamente é o melhor jogador do mundo entre aqueles que não são fora-de-série.
E não foi só Kane, a Inglaterra jogou muito bem, os croatas, apesar do placar, também jogarem bem, foi a melhor partida da Copa até agora. Talvez para Kane falte jogar em uma seleção confiável, como antes lhe faltava um clube confiável, ficou penando anos no Tottenham e agora voa com o Bayern de Munique. Talvez o experiente técnico Tuchel, campeão de tudo, seja o homem que, enfim, leve a Inglaterra a algum lugar.
O que mais me causou inveja, contudo, foi o que mais falta para o nosso time: a alma. No final do jogo, nos acréscimos, escanteio para a Croácia, a bola pipoca na área e sobra para Gvardiol dentro da pequena área que arma a bomba para diminuir o placar e Kane literalmente se joga na frente dele, defendendo de peito o potente chute. E talvez a beleza dessa Copa, a explicação para a qualidade dos jogos mesmo com seleções consideradas ruins, seja porque os times e os jogadores estão se entregando, com toda sua alma, com todo seu coração, sacrificando o corpo pela glória, o mergulho abissal em busca do amor eterno: estão jogando as partidas de Copa do Mundo como se fossem jogos de Copa do Mundo. Enquanto nosso time jogar como se fosse um amistoso num estádio qualquer da Inglaterra ou da Espanha para um público desinteressado, só poderemos invejar a paixão alheia.
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No penúltimo lance do dia, quase oito minutos de acréscimo, Colômbia vencia por 2x1 o Uzbequistão, sai um bico da defesa colombiana para a ponta esquerda, o baixinho Cucho Hernandéz vai disputar com o grandalhão Urozov, é derrubado, juiz não marca falta, Cucho levanta, cai de novo, vai se agarrando com o defensor uzbeque, tentando achar algum espaço, quase saindo pela lateral, e quando parecia que o lance morreria, Cucho acha um espaço, cruza na segunda trave e Campaz marca de cabeça. Outro que jogou um jogo de Copa do Mundo como jogo de Copa do Mundo. No último lance, passados dos 10’ de acréscimos, a bola sobra para o uzbeque Karimov, longe do gol, ele enfia o pé na bola, um pombo sem asa que quase arrebenta a forquilha. Mais um que jogou jogo de Copa do Mundo.
