19.06.26 – 9º dia de Copa

Copa do Mundo, 19.06.2026, Estados Unidos 2 x 0 Austrália; Escócia 0 x 1 Marrocos; Brasil 3 x 0 Haiti; Turquia 0 x 1 Paraguai

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Já tentei fingir desprendimento e desinteresse em relação à Seleção. Quase não assisto a amistosos e não faço grandes esforços para ver jogos de eliminatórias, embora assista às eliminatórias de outros países. Copa América eu assisto, porque torço para as seleções latino-americanas há algumas Copas. Mas, ao menos para mim, é impossível não torcer pela Seleção em Copas do Mundo.

Tentei isso particularmente em 2014, quando era absolutamente contra a realização do Mundial no Brasil, por todos os conhecidos problemas que isso envolveria e que, quem diria?, confirmaram-se cartesianamente. Não assisti a nenhum jogo daquele ciclo, não assisti à Copa das Confederações, e estava sozinho em casa, todas as pessoas que conheço, minha família, meus amigos, em alguma festa para acompanhar o jogo, tentando achar algo para fazer quando a Seleção debutaria a Copa contra a Croácia. Faltando, sei lá, trinta segundos para o jogo começar, mandei irritado um “foda-se” mentalmente para mim mesmo, odiando minha fraqueza ideológica, e assisti e torci o jogo todo. Visto o primeiro jogo, como o adicto que estava há tempos abstêmio, não soube me controlar e assisti a todas as outras partidas do Mundial e ainda tentei desesperadamente comprar ingressos para algum jogo.

O intróito é necessário para esclarecer que é evidente que não estou imune a um certo pachequismo quando vejo aquela camisa amarela jogando Copa do Mundo, embora a desse ano não seja aquele amarelo e a azul, então, nem azul é.

Se outrora qualquer 3x0 contra qualquer bando de pangaré já me faria ter a certeza do título, a vitória contra o Haiti foi algo decepcionante. Diferentemente do que a narração de Galvão Bueno sempre induz, como se o Brasil fosse disparado o melhor time do mundo e só jogássemos a Copa por uma questão burocrática já que a taça já seria nossa, ou do neopachequismo digital da CazéTV, que dizia que faria diferente da Globo embora trilhe os mesmos passos de adular jogadores e time ainda que não joguem tão bem, o que eu e quem estava ao redor vimos e sentimos foi algo insosso, nada de mais. Não como soberba de quem se acha superior ao outro time, mas como uma vontade do tamanho do mundo para se empolgar e se enganar por noventa minutos, alheio à realidade e preocupado apenas em amar a Seleção do jogo bonito, e que não teve o sentimento correspondido.

Comecei a partida, por conta do tão temido delay, no SBT, que era a transmissão mais adiantada em casa. De fato, comemoramos o gol antes que nossos vizinhos, uma comemoração menos chocha do que já tinha sido no gol do Raphinha, e que fingi para mim e para meus filhos que era porque já tinha visto que estava impedido. Já tínhamos verbalizado, eu e meus filhos, nossas reclamações quanto à narração de Galvão Bueno, os comentários, a qualidade da imagem, e nos convencíamos a ficar em razão do delay. Quando ouvimos que ninguém comemorou antes nem depois de nós nos apartamentos vizinhos, resolvemos mudar para a Cazé.

A imagem é melhor, a narração de Luís Felipe Freitas é melhor, mas a pachequice só não é a mesma porque estava formatada para as redes sociais, embora siga a cartilha carioca da Globo, tanto que só faltou comparar Paquetá com Messi, como se estivesse jogando a melhor partida da história.

O oba-oba das transmissões não nos empolgava e parecia não empolgar os vizinhos, as comemorações nos gols eram tímidas, aqui e nos arredores, ninguém fazia muito barulho, rojão só ouvi dois, um em cada gol impedido, nada de gritos, vuvuzelas, pandeiro, buzina, barulho, nada que empolgasse. Confesso que comemoramos mais o empate de Cabo Verde que os gols brasileiros.

O segundo tempo foi literalmente sonolento, tanto que faltando pouco menos de dez minutos meus parceiros de sofá dormiam ressonando, eu ainda firme esperando o quarto gol que salvaria meu bolão (apostar num 4x0 desse time indica um alto grau de pachequismo, eu sei).

O Haiti é um time muito ruim, que jogou completamente escancarado com uma linha defensiva alta, facilmente infiltrável por jogadores velozes como são quaisquer dos pontas brasileiros, e a vitória foi fácil muito mais por essa fragilidade do que por alguma sedutora e avassaladora atuação nossa. Víamos que o que se fazia não estava nada além do esperado, era algo protocolar, não era mais do que a obrigação. Talvez até tenha sido pouco para garantir o saldo de gols suficiente para classificar em primeiro.

Não foi o péssimo time da estreia, Vini e Matheus Cunha, que garantiu sua titularidade, foram bem. Foi um resultado bom para um jogo ruim, mas já temos nossos clubes de coração para torcer pelo resultado, da Seleção eu quero epifanias, quero viver em outra dimensão por noventa minutos, quero ser feliz, não quero só um jogo. Ainda há muito a melhorar para evitar passar vergonha. Para ser campeão, hoje, acho que nem Galvão Bueno nem Casimiro Miguel acreditam.

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Não entendo certas mudanças de regulamento, que só se explicam pela ânsia de vomitar regra que têm aqueles com a caneta na mão. Colocar vitória como critério de desempate em relação a saldo de gols é algo plausível. Confronto direto, em fase de grupo que se joga apenas três partidas, não faz sentido nenhum. Confronto direto define, como o nome já diz, o confronto direto, o mata-mata. Não pode valer mais que o conjunto das outras seis partidas do grupo como critério de desempate. Por esse artigo esdrúxulo, já na segunda rodada, mesmo se podendo classificar em terceiro pelo saldo de gols, Turquia e Haiti estão eliminados. De outro lado, México e Estados Unidos já estão classificados em primeiro, mesmo ainda podendo ser alcançados em pontos por outros adversários. Talvez seja uma estratégia deliberada para esvaziar um pouco a terceira rodada, que costuma ser uma das melhores fases da Copa, poupando as equipes para as fases eliminatórias, em razão do acréscimo de times e jogos do atual torneio. Não tenho dúvida de que é uma péssima ideia. E sabemos que de péssimas ideias, o inferno, ou seja, a Fifa, está cheio.

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