22.06.26 – 12º dia de Copa
Copa do Mundo, 22.06.2026, Argentina 2 x 0 Áustria; França 3 x 0 Iraque; Noruega 3 x 2 Senegal; Jordânia 1 x 2 Argélia
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Torcer é uma forma de amar, e como o amor, não tem uma forma certa ou errada de se expressar.
Tem gente que acha que torcida tem que cantar o tempo inteiro, independentemente do que aconteça em campo, tem gente que acha que a arquibancada deve seguir o que acontece no jogo. Uns preferem paródias, outros, músicas próprias, que podem apenas empurrar o time, ou falar de suas vitórias, de seus craques, de como são melhores que seus rivais. Tem torcida que se veste com a mesma camisa, outras se vestem com os vários uniformes de seu time. Tem quem prefira bateria completa, bandeirões, fumaça colorida, fogos de artifício, chuva de papel, de pó-de-arroz e até de bolhas de sabão, e há quem prefira levar o jogo no gogó. Algumas torcidas dançam aleatoriamente, outras coreografadas, muitas só pulam, outras sentam e levantam em movimentos síncronos. Usam mosaicos, faixas com mensagens de apoios, ou lembrando grandes feitos, banners com a imagem de seus craques. São infinitas as formas de torcer, tem ola, olé, Alá, ali e aqui.
Várias dessas possíveis maneiras de torcer podem nos parecer estranhas, por estarmos acostumadas com outras perspectivas, outras ferramentas. Uma das belezas da Copa do Mundo é dar palco à torcida de (quase) todos os que se classificaram e mostrar como um gesto ou uma coreografia singela pode ser emocionante.
Já tinha visto a tal “remada” dos noruegueses. Entendi que estava relacionado com o seu passado viking e que, embora para eles possa fazer sentido, para mim parecia algo meio bobo, meio desconectado com o futebol. Alguém bate duas vezes em um tambor ou um surdo, as pessoas todas sentadas fazem um movimento de remada, gritando algo que parece “ruuu”. A frequência vai aumentando até que chega um momento em que estão prestes a perderem a sincronia e então comemoram. Não que me incomodasse, não sou sommelier de torcida, cada um que torça como quiser, só achava meio sem graça.
E eis que a Noruega faz uma ótima partida contra a boa equipe de Senegal, quase sofreu o empate no último escanteio, mas segurou uma excelente vitória por 3x2 que já a classificou para a próxima fase, algo que talvez todos os jogadores e a maioria dos torcedores nunca havia vivenciado. Findo o jogo, o técnico Solbakken desembestou-se pelas arquibancadas, procurando alguém, e quando a encontra entrega-lhe o beijo daqueles que amam, que é um outro jeito de torcer.
Enquanto isso, no campo, de frente para a torcida que estava atrás de um dos gols e que havia feito a remada durante a partida, os jogadores todos se organizavam para repetir a coreografia com seus torcedores, ao comando do capitão Ødeggard. O técnico Solbakken voltou correndo, no rosto o sorriso do dever cumprido, do beijo da mulher amada, sentou ao centro, e equipe e torcida, liderados pelo capitão, fizeram a dança até o final, todos num grande barco viking remando pelas águas geladas do Mar do Norte, um momento emocionante no qual jogadores e torcedores eram um só, eram um time.
“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.




A remada feita por torcedores e jogadores: um time
Os jogadores noruegueses no churrasco de confraternização
